Arroz, feijão, carne, legumes, verduras e frutas. Tem macarrão, sopa, polenta, mandioca, batata-doce e até aquela pipoca que faz a alegria da criançada. Nas escolas municipais de Cotia, a antiga “merenda” ganhou outro significado há tempos. O que chega à mesa dos estudantes é alimentação de verdade, preparada diariamente e pensada para contribuir com o crescimento, o desenvolvimento e a aprendizagem.
E colocar tudo isso no prato exige uma operação gigantesca. São 64.019 refeições servidas por dia na rede municipal de ensino. Considerando os 200 dias letivos, são mais de 12,8 milhões de refeições.
Comida de verdade para milhares de estudantes
A quantidade de refeições oferecidas diariamente varia de acordo com a faixa etária e o período em que o estudante permanece na escola.
Nos berçários I e II em período integral, por exemplo, são cinco refeições por dia: mamadeira, colação, almoço, outra mamadeira e jantar. Só nesse segmento são 6.595 refeições diariamente, chegando a 1,319 milhão em 200 dias letivos.
No maternal integral também são cinco refeições: desjejum, colação (suco, leite, fruta etc), almoço, outra colação e jantar. Já os estudantes do 3º ao 9º ano que permanecem em período integral recebem quatro refeições ao longo do dia: desjejum, colação, almoço e jantar.
Quem estuda em período parcial também recebe alimentação de acordo com o horário de permanência na unidade. E a Educação de Jovens e Adultos (EJA) não fica de fora: os estudantes do período noturno também recebem uma refeição.
Por trás de cada prato está uma combinação de alimentos pensada para garantir variedade. Os cardápios incluem arroz e feijão, carnes bovina, suína, frango e peixe, além de legumes, verduras e frutas. Preparações como macarrão, sopa e polenta também fazem parte da rotina.
Na escola Professora Ana Maria Pereira, no Nakamura Park, por exemplo, na terça-feira (18 de agosto), o prato servido aos estudantes tinha arroz, feijão, picadinho de carne suína e salada de acelga. Comida feita na cozinha da escola, daquelas cujo cheiro anuncia a refeição antes mesmo de ela chegar à mesa. O prato é generoso e bem servido. E com direito a repetição.
Quem decide o que vai para o prato?
Antes de a panela ir ao fogo, há planejamento. Os cardápios são elaborados mensalmente pela equipe de nutrição da Secretaria de Educação seguindo as diretrizes da legislação para a alimentação escolar.
Segundo a nutricionista Jéssica Aparecida Borges, uma das prioridades é a oferta de alimentos in natura, como carnes, legumes, verduras e frutas. Já a presença de produtos ultraprocessados é limitada e segue critérios específicos.
“Tem a legislação que dá algumas orientações quanto à quantidade de alimentos ultraprocessados. Então, se pensa no cardápio priorizando os alimentos in natura”, explica.
A idade dos estudantes também faz toda a diferença.
Para os bebês, não basta escolher o alimento adequado. É preciso pensar até na forma como ele chegará à boca da criança. A banana é oferecida amassada e a maçã, raspada. Ela explica que conforme a criança cresce, a textura vai sendo modificada até chegar à consistência habitual dos alimentos.
No berçário, o cuidado também aparece nas próprias preparações. O molho de tomate, por exemplo, é caseiro e preparado na cozinha da escola. Para crianças menores de dois anos, o cardápio não inclui alimentos ultraprocessados, seguindo as orientações alimentares destinadas a essa faixa etária.
O planejamento mensal ainda permite acompanhar a sazonalidade dos alimentos. Dependendo da época do ano, frutas, verduras e legumes entram ou saem do cardápio de acordo com disponibilidade e qualidade.
“Tem épocas que a gente consegue servir a goiaba porque ela vai estar numa maturação melhor, tem épocas que já não vai estar mais. Então, a gente tem que repensar que fruta colocar”, explica Jéssica.
Até as datas comemorativas podem aparecer no prato. Em períodos festivos, algumas preparações especiais são incorporadas ao cardápio. E durante o mês de agosto, todas as sextas-feiras teve pipoca.
Os queridinhos
Nutrição é prioridade, mas ninguém esqueceu de um detalhe bastante importante: a criança precisa querer comer.
Por isso, a aceitação dos estudantes também é acompanhada pela equipe. E alguns campeões já são conhecidos.












