Depois de dias de chuva intensa, Cotia finalmente registra uma trégua. O volume acumulado caiu significativamente e o município deixou de aparecer entre as cidades com índices relevantes de chuva no último relatório do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), divulgado pela Defesa Civil.
De acordo com o levantamento, o acumulado registrado em Cotia nas últimas 48 horas caiu de 90 mm, na manhã de terça-feira (15), para 18 mm nesta quarta-feira (16). Nas últimas 24 horas, foram registrados apenas 5 mm de chuva.
Segundo o CGE, Cotia não foi incluída na relação de acumulados significativos das últimas 72 horas justamente “em razão da ausência de novos índices significativos”.
“Essa redução representa um grande alívio para todos nós, contribuindo para a diminuição dos riscos de alagamentos e enchentes em córregos e rios”, afirmou o secretário da Defesa Civil de Cotia, Marcos Nena.
Apesar da melhora nas condições climáticas, as equipes continuam acompanhando a situação no município. Isso porque, depois do grande volume de chuva registrado nos últimos dias, o solo permanece encharcado e ainda pode oferecer riscos, especialmente em áreas de encosta e próximas às margens de rios e córregos.
Mas o que significa solo encharcado?
A engenheira ambiental Ana Paula Botelho, da Secretaria do Meio Ambiente de Cotia, explica que, em condições normais, existem pequenos espaços vazios no solo preenchidos por ar. À medida que chove, esses espaços passam a ser ocupados pela água.
Quando o solo chega ao chamado ponto de saturação, já não consegue absorver mais água. A partir daí, a chuva passa a escoar pela superfície.
“O solo vai recebendo a água até atingir sua saturação máxima. A partir daí, não há mais infiltração e a água começa a escoar por cima. É nesse momento que acende o sinal de alerta, porque o solo fica mais suscetível a desmoronamentos”, explica Ana Paula.
O risco merece atenção especial nas proximidades de rios e córregos. Com o solo saturado, as margens podem perder estabilidade e sofrer deslizamentos, colocando em risco construções próximas.
A engenheira explica que um dos sinais que podem ser percebidos pela própria população é a presença persistente de água sobre terrenos que normalmente conseguiriam absorvê-la. “Quando a pessoa pisa no terreno e percebe água acumulada na superfície, formando poças mesmo sem chuva naquele momento, isso pode indicar que o solo está com elevada quantidade de água”.
E quanto tempo o solo leva para secar?
Não existe uma resposta única. O tempo necessário para que o solo volte a condições normais depende de diversos fatores, especialmente de sua composição.
Solos mais argilosos tendem a reter água por mais tempo. Já nos solos mais arenosos, a drenagem costuma ocorrer mais rapidamente. “Por isso, mesmo depois de a chuva parar, os efeitos de um período de precipitações intensas podem permanecer por algum tempo”.
É justamente por isso que a Defesa Civil mantém o acompanhamento das áreas mais vulneráveis, mesmo com a forte redução dos acumulados de chuva.
Cada um pode fazer a sua parte







