Quinta, 28 de Janeiro de 2021
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Saúde COVID-19

´Vou levar essas palavras para sempre': O Pedido de Pasciente com Covid-19 que viralizou.

Formado há um ano, médico Iago Polo relatou em seu Twitter uma das situações mais emocionantes que presenciou desde o início da pandemia de covid-19

09/12/2020 17h30
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Por: Noticias Fonte: BBC- NEWS
´Vou levar essas palavras para sempre': O Pedido de Pasciente com Covid-19 que viralizou.

Pouco antes de ser intubada, uma paciente de 30 anos fez um apelo. "Não me deixa morrer", disse a mulher, que desenvolveu complicações graves em decorrência da covid-19.

 

O médico Iago Polo, de 27 anos, acompanhava o procedimento e ficou comovido com a situação. O pedido da paciente se tornou uma das cenas mais tristes que o profissional de saúde, formado há um ano, presenciou desde o início da pandemia de covid-19.

 

No sábado (05/12), Polo escreveu sobre o apelo da mulher para permanecer viva. "Acho que depois de ouvir isso, a gente leva essas palavras para sempre com a gente", publicou o médico em seu perfil no Twitter.

 

O post dele viralizou. Até a manhã da terça-feira (08/12), havia mais de 78 mil curtidas em sua publicação.

Para Polo, o caso da paciente intubada é um alerta sobre a atual situação do novo coronavírus no país, que teve aumento de registros de infecções nas últimas semanas, após meses de queda.

O pedido da paciente

Polo trabalha em alas destinadas a pacientes com a covid-19 em dois hospitais públicos da região metropolitana de São Paulo. Ele conta que a mulher de 30 anos foi a mais jovem que atendeu com complicações graves pelo coronavírus.

 

Internada, ela chegou a usar uma máscara de oxigênio para tentar elevar a saturação do oxigênio em seu sangue. Porém, a medida se mostrou insuficiente.

 

A princípio, a paciente não quis ser intubada. "Explicamos a ela que postergar poderia piorar ainda mais a situação", diz o médico.

 

O procedimento de intubação é temido porque é considerado altamente invasivo. Os médicos inserem um tubo pela boca do paciente, que está sedado, até a traqueia para manter uma via até o pulmão e garantir a respiração.

 

"A paciente estava muito ansiosa e com um medo natural. Quando a gente não conseguiu mais postergar a intubação, não houve mais alternativas", relata Polo. Cada vez mais fraca e com mais dificuldades para respirar, a paciente concordou em ser intubada no último sábado, após dois dias adiando o procedimento.

"Os pacientes que não querem ser intubados a princípio, acabam processando a situação e entendendo que é a melhor alternativa", diz o médico.

 

Antes da intubação, Iago conversou com a paciente. "Ela chorou muito e desabafou que não queria morrer", relembra.

 

Ela é considerada paciente de risco para a covid-19 por ser obesa e ter diabetes e hipertensão — fatores que podem agravar o quadro da pessoa infectada pelo coronavírus.

 

Enquanto acompanhava o desespero da paciente antes da intubação, Polo conta que tentou confortá-la. "Nesses momentos, buscamos dar segurança ao paciente e mostrar que estamos ao lado dele. Estamos ali para dar conforto", diz o médico.

 

Ele conta que pegou na mão dela e disse que aquela situação passaria. "A gente acaba prometendo algumas coisas que não consegue cumprir", lamenta.

 

Um outro médico foi o responsável por intubar a paciente. "Mas eu estava ao lado dele o tempo todo. Geralmente quem faz o procedimento é um médico mais experiente e um outro fica perto para auxiliar, se necessário", explica Iago.

 

A paciente permanece intubada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Até o momento, não apresentou melhora significativa.

 

Pacientes mais jovens

O caso da mulher mexeu com Iago por se tratar de uma paciente com idade próxima à dele. "Me vi um pouco ali na situação dela, por estarmos na mesma faixa etária. Por vezes, existe o senso de que os mais jovens não serão tão afetados pela covid-19, mas isso não é verdade", diz o médico.

 

"Mesmo sendo jovem e ainda que não tenha comorbidades, o paciente pode desenvolver um quadro grave da doença", desabafa.

 

Para Iago, muitos jovens passaram a ignorar os riscos da covid-19 e começaram a participar de aglomerações frequentes. Nas últimas semanas, ele percebeu um aumento de infecções entre pacientes mais novos.

 

Uma das características dos novos casos da doença no país, segundo levantamentos sobre o tema, é que os jovens estão se infectando mais.

 

Os registros apontam que a faixa de 20 a 29 anos foi a que mais cresceu proporcionalmente entre os infectados pela covid-19 nos últimos meses.

 

Um levantamento da Rede Análise Covid-19, divulgado pelo jornal O Globo, apontou que em maio, quando os casos tiveram um grande crescimento no país, as pessoas de 15 a 29 anos correspondiam a 13,5% dos diagnósticos do novo coronavírus. Já em novembro, segundo dados apurados até o último dia 23, a faixa etária saltou para 20,5% dos registros.

 

Conforme a apuração da rede, que reúne pesquisadores voluntários de todo o país, os casos tiveram um leve crescimento entre as pessoas de 30 a 39 anos. Em maio, essa faixa correspondia a 24,62% dos diagnosticados. Em novembro subiu para 24,68%.

 

Especialistas alertam que apesar de muitos jovens não desenvolverem sintomas graves, um dos grandes riscos é que eles podem transmitir o vírus aos mais vulneráveis, como idosos e pessoas com doenças pré-existentes.

 

Na faixa etária de 40 anos para cima, houve tendência de queda nas proporções de infectados pela covid-19 no comparativo entre maio e novembro, conforme o levantamento divulgado pelo O Globo.

Polo afirma que publicou sobre a paciente em seu perfil no Twitter como forma de alerta para outras pessoas e para desabafar sobre a situação que havia vivenciado.

 

"É muito triste ver uma paciente naquela situação. As pessoas que são intubadas têm objetivos, sonhos, mas tudo muda abruptamente e elas se veem ali naquela cama. Os médicos ou enfermeiros que estão na linha de frente da covid-19 tentam dar esperanças para aquela pessoa, mas é uma situação difícil", relata.

 

O médico comenta que não esperava que a publicação viralizasse. Além das curtidas, foram mais de 4 mil compartilhamentos no Twitter. Agora, ele espera que a história da paciente sirva para que outras pessoas passem a se cuidar mais.

 

"Precisamos aguardar a chegada de uma vacina para combater a covid-19 no Brasil. Não existe nenhum medicamento para o coronavírus. Então, não há dúvidas de que as principais armas neste momento são o distanciamento social, o uso de máscara e o isolamento para casos suspeitos ou confirmados", pontua o médico.

 

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