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Saúde

Como saber se contraí a variante do Amazonas? A chance é de 70%

Estima-se que cerca de 70% dos novos casos de covid-19 no país sejam por conta da nova cepa, segundo Flávia Bravo, diretora da SBIm

09/03/2021 02h11
Por: Redação
Fonte: R7 - Hysa Conrado, do R7
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Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Como saber se contraí a variante do Amazonas? Ou as variante do Reino Unido e da África do Sul? De acordo com a pediatra Flávia Bravo, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), só é possível saber se alguém está infectado por uma das variantes se for realizado um estudo específico de análise de genoma, o que não é feito na rotina dos laboratórios. “Nem todo mundo que pega coronavírus consegue fazer o teste PCR, apenas uma parte da população. Então, é preciso ter o vírus das pessoas que se infectaram, e fazer um mapa genômico dele. O rastreamento de variantes é feito pela vigilância genômica, por amostragem. Não tem como saber no dia a dia se está com uma das variantes”, explica. Ainda segundo a especialista, estima-se que cerca de 70% dos novos casos de covid-19 no Brasil sejam por conta da variante do Amazonas e, por conseguinte, há 70% de chances de uma pessoa ser infectada por ela 

O contato entre vacinados e variantes propicia o aparecimento de mutações "superpotentes", capazes de driblar a ação das vacinas? O que propicia o surgimento de variantes, segundo a especialista, é o grande número de pessoas vulneráveis. “Em um cenário como o do Brasil, em que o ritmo de vacinação é lento e há um grande contingente populacional vulnerável, somado à falta de isolamento, temos as condições ideais para uma ampla disseminação e o surgimento de variantes do SARS-CoV-2”, afirma. Segundo Flávia, as vacinas não facilitam a capacidade do vírus de produzir mutações e, sim, o contrário: quanto mais pessoas vacinadas, menos chances o vírus tem de circular e de se multiplicar. Quanto mais o vírus circula e se multiplica, maiores são os riscos de ocorrer erros nas cópias e surgir uma variação de contaminação e transmissão mais longa, o que aumenta a possibilidade de disseminação do vírus que está mais adaptado para sobreviver no organismo da pessoa infectada. “As variantes são consequências e não a causa dessa tragédia que estamos vivendo com o aumento de casos e de mortes. A vacinação contribui para reduzir a circulação do vírus, mesmo que o imunizante não tenha uma eficácia de 100%, pelo menos mais da metade das pessoas vacinadas vai estar protegida”, afirma a especialista 

A variante do Amazonas é mais letal? Não há estudos conclusivos sobre a variante do Amazonas, também chamada da P.1, ser mais letal do que as outras. O que há, de acordo com a especialista, é uma capacidade maior de adesão e penetração nas células humanas, e consequentemente de causar mais infecção. As pesquisas realizadas até agora mostram que esta variante também tem um período de transmissibilidade maior, então uma pessoa contaminada consegue transmitir o vírus por mais tempo, facilitando sua disseminação. “O que vemos é que, como é mais infectante, ela atinge um maior número de pessoas e com isso temos mais casos graves, mais internação de pessoas e mais mortes, sobretudo em uma situação de colapso da estrutura de saúde, onde aquelas pessoas que poderiam não morrer se tivessem um tratamento adequado, acabam morrendo. Então é multifatorial a situação epidemiológica crítica que a gente está vivendo agora”, afirma

O que mais se sabe sobre a variante do Amazonas? Descoberta em janeiro deste ano, investigações genéticas e epidemiológicas ainda estão sendo feitas sobre a variante do Amazonas, por este motivo não há estudos conclusivos sobre sua agressividade. O que a especialista explica é que, aparentemente, as pessoas acometidas por esta variante apresentavam uma carga viral mais alta. “Nos exames há mais vírus para serem detectados pelo PCR. Então, o importante é pensar que a gente tem que cortar o ciclo vicioso, que é quanto maior propagação, maior as chances de mutações, e nunca vamos ver uma melhora da situação. Enquanto não tivermos vacinas suficientes, é importante que se tomem as outras medidas de prevenção, como usar máscara e manter o distanciamento social”, orienta a médica

Como a variante do Amazonas se espalhou pelo país e pelo mundo? Assim como o primeiro SARS-CoV identificado na China em dezembro de 2019, as variantes se espalharam por meio da circulação de pessoas entre os países, sobretudo das que não seguem as recomendações de distanciamento, que não usam máscara e se aglomeram. O exemplo disto é que a variante do Amazonas foi identificada pela primeira vez no Japão, em quatro turistas que viajavam do Brasil para o país 

Existe a possibilidade de as vacinas não serem eficazes contra as variantes? De acordo com a especialista, sempre pode ocorrer mutações que acabem por levar a uma modificação nos genes que condicionam a produção da proteína S, o que pode ter como consequência que essa proteína se modifique tanto que possa escapar da resposta imune dos anticorpos gerados pela vacinação. Estudos preliminares realizados com a CoronaVac e a vacina de Oxford, imunizantes em aplicação no Brasil, mostram que não houve escape dos anticorpos produzidos por elas. Por outro lado, Flávia explica que os estudos que verificam essa possibilidade são realizados por meio de anticorpos testados in vitro e que a resposta imune do ser humano é mais complexa. “Esses testes in vitro testam somente a ação dos anticorpos, mas podemos ter esperança bem fundamentada de que a resposta celular, às custas dos linfócitos T, que acredita-se ter uma importância fundamental para proteger as pessoas da doença, se mantém na proteção contra às variantes. Então, não há uma situação de desespero, mas é uma situação de alerta extremo, já que pode acontecer de surgir uma variante que escape também da resposta celular”. Testes realizados com a vacina da Moderna no Estados Unidos mostraram que o imunizante apresentou uma redução de seis vezes do título de anticorpos contra a variante da África do Sul, por exemplo